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quinta-feira, 5 de abril de 2012

Síndico de edifício que caiu no Rio admite que paredes derrubadas eram estruturais


Rio de Janeiro – O síndico do Edifício Liberdade, Paulo Renha, admitiu nesta quarta (4), em depoimento à Polícia Federal (PF) que as paredes derrubadas pelos pedreiros durante uma obra no nono andar do prédio, que desabou em janeiro, eram do tipo estruturais e ajudavam a sustentar o prédio.


O delegado Fabio Scliar afirmou que, embora seja cedo para determinar se essa demolição foi responsável pela queda do Liberdade, é provável que a obra tenha contribuído para o acidente. Renha relatou ao delegado que durante uma obra, em anos anteriores, foi desaconselhado, por um engenheiro, que se mexesse nas paredes, porque elas seriam estruturais.

“Ele revelou que no décimo sétimo andar, onde trabalhava, em certa feita, tentou fazer uma reforma no banheiro e foi desaconselhado pelo engenheiro, porque as paredes do banheiro eram feitas de concreto armado, amarradas [por ferros] ao teto e ao chão. Ao passo que sabemos que, no nono andar, os banheiros foram exterminados”, disse Scliar.

Em depoimento no dia anterior, os operários disseram que derrubaram pelo menos um pilar de concreto, além de botarem abaixo a parede, também de concreto, de um dos banheiros do nono andar. A obra deixou o pavimento sem nenhuma parede, transformado em um grande salão vazio, o que pode ter desequilibrado a estrutura do Liberdade.

Um dos operários chegou a dizer que havia mentido no primeiro depoimento à polícia, logo após o acidente, por medo de ser punido pela empresa que o contratara para a reforma. Na ocasião ele dissera que não havia ordem para derrubar paredes estruturais. Mas na terça-feira afirmou que recebeu, sim, essa orientação.

O edifício caiu na noite de 25 de janeiro sobre outros dois prédios, na Avenida 13 de Maio, no centro do Rio. O desabamento provocou a morte de 17 pessoas e deixou cinco desaparecidas.

O delegado Scliar aguarda a conclusão da perícia para encerrar o inquérito. Por enquanto, porém, ele afirma que não está definido o indiciamento de ninguém. Scliar afirmou que não vê elementos para indiciar o síndico, que nesta quarta-feira afirmou supor que a obra do 9º andar era realizada sob supervisão de um engenheiro.


Editado por ZeRepolho

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